Recentemente eu percebi o estrago que somos capazes de nos fazer. Alguma pessoas extrapolam esse estrago para o corpo, outras deixam preso na mente e se perdem por ali. Por mais piegas que pareça, o amor próprio é uma construção diária, e é muito mais fácil não ter nenhum ou destruir o existente, do que construir e manter. ´
A falta de amor próprio pode vir por não ter o corpo perfeito, não ser a melhor aluna, por querer incessantemente agradar os outros e ser aceita… Enfim, são tantas possibilidades do que não se pode ser. E eu sou assim. Mas essa semana me dei conta, durante a terapia obviamente, de como é exaustivo correr atrás dessas coisas. Talvez não tenha me dado conta, mas saiu a neblina que encobria esse pensamento.
Eu sempre quis ser mais, e sempre dúvidei de mim e das minhas escolhas. Acho certo sempre querermos melhorar, mas existem coisas que não poderemos ter, porque simplesmente não somos assim. Caso tentemos desesperadamente ser daquele jeito, seremos tristes porque vamos fracassar ou porque aquele objetivo é para ser atingido por outra pessoa e não por nós. Vou dar alguns exemplos bobos baseado no que vivi: eu acho a minha bunda muito grande. Eu tenho como mudar isso? Sim, se eu fizer uma plástica. Eu estou disposta a fazer uma plástica? Não. Então minha bunda vai continuar do jeito que é. E isso não é ruim (nota pessoal da autora). Outro exemplo: eu falo, e gosto de falar palavrão, mas muita gente recrimina e diz que é errado. Eu já pensei que isso fosse verdade e quis ser correta no olhar dessas pessoas? Sim. Eu parei de falar palavrão? Tentei, mas não deu, faltavam palavras e me senti incompleta. Me sentia falsa, com coisas guardadas, que eu gostava de expressar com o palavrão.
Eu sou e fui por muito tempo triste. A depressão anda ao meu lado há muito tempo, não falo dela, tenho vergonha, me sinto pior (mais um chute no amor próprio). Nem sempre fui triste e não sou o tempo todo. Mas ter altos e baixos faz parte de mim. Como não sou feliz com o que eu tenho, me comparo ao outro e espero o impossível. Só que nesse meio tempo, perco tudo de bom que não consigo ver. Até porque aprendi que apreciar o que eu tenho de bom não é certo, ou educado.
Todo esse discurso de apreciar e valorizar o amor próprio é lindo, mas é muito dificil de ser praticado. Principalmente porque a auto aceitação é muito difícil. Pelo menos para mim. Eu sempre acho a grama do vizinho mais verde. Percebi que é preciso me desvencilhar do que me faz acreditar que sou pior, algumas vezes preciso me separar de mim mesma, e isso é muito difícil. Algumas vezes temos verdades (não tão verdadeiras) que andam com a gente há tanto tempo que é difícil não acreditar nelas. É aquela velha história de uma mentira que foi contada tantas vezes que virou verdade.
E nesse fluxo de querer aprender a me amar que comecei a escrever esse texto. Fiz também porquer escrever era uma das minhas coisas favoritas, mas que abandonei. Sou uma esfera, mas há tempos estou presa em um cubo. Hoje começo a passar uma lixa no vértice para moldá-lo melhor e ficar mais confortável.
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