Nunca achei que ia ter tanta dificuldade em escrever um texto. São tantas informações, sentimentos, paixões misturadas que tenho dificuldade de orgazinar meu pensamentos e fazer uma linha de raciocionio coerente. E o pior de tudo é que eu quero muito escrever esse texto, então a aflição vai ao nível mil. Mas apesar de toda a dificuldade vou tentar mais uma vez (já apaguei e larguei esse texto umas 3 vezes).
Quando eu era pequena, mas bem pequena mesmo, eu assistia Mágico de Oz, pelo menos eu acho que as lembranças vagas que eu tenho são do filme. Era (ainda sou) fissurada nos desenhos da Disney. E tinha muito gosto por trilhas sonoras. Minha mãe tinha um CD da Jane Duboc, chamado Movie Melodies, que era um dos meus preferidos, e eu nem sabia o que significava movie ou melodies, mas gostava do CD. Tudo isso que eu estou contando é pra falar que eu já tinha uma queda por musicais, sem nem saber o que eram musicais.
Com 11 anos, em 2001, minha mãe me levou para assistir Les Miserables, que estava em cartaz no Teatro Abril. Não tenho ideia de como estavam as minhas expectativas, mas sei muito bem como me senti durante e depois da peça. Fiquei encantada/apaixonada/em êxtase com tudo: todas aquelas pessoas cantando, o céu falso de estrelas, as janelas feitas com luz, o palco giratório. Era muita mágica para uma peça só. Saí deslumbrada e com vontade de viver naquela peça e de assisti-lá mais mil vezes.
Depois dos Miseráveis, aluguei novamente O Mágico de Oz, e assisti até perder a conta e decorar as falas. Depois disso vieram outras peças e filmes: Chicago, Bela e a Fera, Singing in the Rain, Grease… Hoje em dia são tantos que não tenho como listar todos eles. Eu entendo alguma coisa de teatro? Não, nada. E de canto? Menos ainda. E dança? O mínimo do mínimo. Mas eu desenvolvi um conhecimento bom de tanto assistir. As vezes eu tenho a sensação que vejo e ouço mais que os outros. Não porque eu me ache melhor ou algo assim, mas porque eu crio tantas expectativas e gosto de reparar em tantos detalhes que acabo vendo mais que os outros mesmo.
Não me considero uma expert em musicais, mas gosto muito, e eles são a minha paixão. Dependendo da peça eu saio tão animada que me sinto com 11 anos novamente. Eu acho que todas as horas e peças que assisti me fazem entender um pouco mais. E cobrar mais também. Isso vai ficar bem claro nas futuras resenhas que pretendo escrever sobre os musicais que eu vou. Vocês vão ver que eu posso ser insuportável quando o assunto é musical. Aliás esse texto é um meio de eu tentar justificar porque eu vou falar de musicais dando tantos pitacos. Estou tentando criar um respaldo aqui.
Meu ídolo é o Daniel Boaventura. Assisti ele pela primeira vez em 2002, quando interpretou o Gastão de A Bela e a Fera. Virei fã na hora. E até hoje quando assisto vídeos no YouTube entendo porque isso aconteceu. Todo mundo que me conhece sabe o quanto eu gosto dele. Comecei a acompanhá-lo aos 12 anos, hoje já estou com 26 e nada mudou. Pelo menos em relação a minha admiração. Dos musicais que ele fez só não assisti Victor e Victória, que foi antes de A Bela e a Fera, e Família Addams (ah, se arrependimento matasse…). Mas ele vai ter um texto em separado algum dia.
Falei do Daniel Boaventura só para justificar que alguns musicais estão vindo pela segunda vez ao Brasil, como My Fair Lady, e a primeira vez que assisti foi com ele, então a minha comparação e julgamento nesses casos serão mais tendenciosas, confesso.
Agora, depois de tudo explicado, todos os pingos nos “is” colocados, é só esperar os musicais virem junto com as resenhas!
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Depois de muito tempo...
Recentemente eu percebi o estrago que somos capazes de nos fazer. Alguma pessoas extrapolam esse estrago para o corpo, outras deixam preso na mente e se perdem por ali. Por mais piegas que pareça, o amor próprio é uma construção diária, e é muito mais fácil não ter nenhum ou destruir o existente, do que construir e manter. ´
A falta de amor próprio pode vir por não ter o corpo perfeito, não ser a melhor aluna, por querer incessantemente agradar os outros e ser aceita… Enfim, são tantas possibilidades do que não se pode ser. E eu sou assim. Mas essa semana me dei conta, durante a terapia obviamente, de como é exaustivo correr atrás dessas coisas. Talvez não tenha me dado conta, mas saiu a neblina que encobria esse pensamento.
Eu sempre quis ser mais, e sempre dúvidei de mim e das minhas escolhas. Acho certo sempre querermos melhorar, mas existem coisas que não poderemos ter, porque simplesmente não somos assim. Caso tentemos desesperadamente ser daquele jeito, seremos tristes porque vamos fracassar ou porque aquele objetivo é para ser atingido por outra pessoa e não por nós. Vou dar alguns exemplos bobos baseado no que vivi: eu acho a minha bunda muito grande. Eu tenho como mudar isso? Sim, se eu fizer uma plástica. Eu estou disposta a fazer uma plástica? Não. Então minha bunda vai continuar do jeito que é. E isso não é ruim (nota pessoal da autora). Outro exemplo: eu falo, e gosto de falar palavrão, mas muita gente recrimina e diz que é errado. Eu já pensei que isso fosse verdade e quis ser correta no olhar dessas pessoas? Sim. Eu parei de falar palavrão? Tentei, mas não deu, faltavam palavras e me senti incompleta. Me sentia falsa, com coisas guardadas, que eu gostava de expressar com o palavrão.
Eu sou e fui por muito tempo triste. A depressão anda ao meu lado há muito tempo, não falo dela, tenho vergonha, me sinto pior (mais um chute no amor próprio). Nem sempre fui triste e não sou o tempo todo. Mas ter altos e baixos faz parte de mim. Como não sou feliz com o que eu tenho, me comparo ao outro e espero o impossível. Só que nesse meio tempo, perco tudo de bom que não consigo ver. Até porque aprendi que apreciar o que eu tenho de bom não é certo, ou educado.
Todo esse discurso de apreciar e valorizar o amor próprio é lindo, mas é muito dificil de ser praticado. Principalmente porque a auto aceitação é muito difícil. Pelo menos para mim. Eu sempre acho a grama do vizinho mais verde. Percebi que é preciso me desvencilhar do que me faz acreditar que sou pior, algumas vezes preciso me separar de mim mesma, e isso é muito difícil. Algumas vezes temos verdades (não tão verdadeiras) que andam com a gente há tanto tempo que é difícil não acreditar nelas. É aquela velha história de uma mentira que foi contada tantas vezes que virou verdade.
E nesse fluxo de querer aprender a me amar que comecei a escrever esse texto. Fiz também porquer escrever era uma das minhas coisas favoritas, mas que abandonei. Sou uma esfera, mas há tempos estou presa em um cubo. Hoje começo a passar uma lixa no vértice para moldá-lo melhor e ficar mais confortável.
A falta de amor próprio pode vir por não ter o corpo perfeito, não ser a melhor aluna, por querer incessantemente agradar os outros e ser aceita… Enfim, são tantas possibilidades do que não se pode ser. E eu sou assim. Mas essa semana me dei conta, durante a terapia obviamente, de como é exaustivo correr atrás dessas coisas. Talvez não tenha me dado conta, mas saiu a neblina que encobria esse pensamento.
Eu sempre quis ser mais, e sempre dúvidei de mim e das minhas escolhas. Acho certo sempre querermos melhorar, mas existem coisas que não poderemos ter, porque simplesmente não somos assim. Caso tentemos desesperadamente ser daquele jeito, seremos tristes porque vamos fracassar ou porque aquele objetivo é para ser atingido por outra pessoa e não por nós. Vou dar alguns exemplos bobos baseado no que vivi: eu acho a minha bunda muito grande. Eu tenho como mudar isso? Sim, se eu fizer uma plástica. Eu estou disposta a fazer uma plástica? Não. Então minha bunda vai continuar do jeito que é. E isso não é ruim (nota pessoal da autora). Outro exemplo: eu falo, e gosto de falar palavrão, mas muita gente recrimina e diz que é errado. Eu já pensei que isso fosse verdade e quis ser correta no olhar dessas pessoas? Sim. Eu parei de falar palavrão? Tentei, mas não deu, faltavam palavras e me senti incompleta. Me sentia falsa, com coisas guardadas, que eu gostava de expressar com o palavrão.
Eu sou e fui por muito tempo triste. A depressão anda ao meu lado há muito tempo, não falo dela, tenho vergonha, me sinto pior (mais um chute no amor próprio). Nem sempre fui triste e não sou o tempo todo. Mas ter altos e baixos faz parte de mim. Como não sou feliz com o que eu tenho, me comparo ao outro e espero o impossível. Só que nesse meio tempo, perco tudo de bom que não consigo ver. Até porque aprendi que apreciar o que eu tenho de bom não é certo, ou educado.
Todo esse discurso de apreciar e valorizar o amor próprio é lindo, mas é muito dificil de ser praticado. Principalmente porque a auto aceitação é muito difícil. Pelo menos para mim. Eu sempre acho a grama do vizinho mais verde. Percebi que é preciso me desvencilhar do que me faz acreditar que sou pior, algumas vezes preciso me separar de mim mesma, e isso é muito difícil. Algumas vezes temos verdades (não tão verdadeiras) que andam com a gente há tanto tempo que é difícil não acreditar nelas. É aquela velha história de uma mentira que foi contada tantas vezes que virou verdade.
E nesse fluxo de querer aprender a me amar que comecei a escrever esse texto. Fiz também porquer escrever era uma das minhas coisas favoritas, mas que abandonei. Sou uma esfera, mas há tempos estou presa em um cubo. Hoje começo a passar uma lixa no vértice para moldá-lo melhor e ficar mais confortável.