Enquanto ele me falava dos meus olhos, não percebia que eu reparava nos seus. Tinham um formato delicado, cílios espessos e um marrom profundo. A composição olhos, sobrancelha e nariz sempre me agradou muito. Mas tudo isso não era nada perto da sensação que aqueles olhos me provocavam. Pela primeira vez me vi nos olhos de outra pessoa. Pela primeira vez me vi.
Prometi não me envolver e não gostar. Das promessas em vão que já fiz, essas talvez foram as piores. Tentei me enganar, e o convenci me enganando.
Não sei o que acontecerá agora, não sei o que ele vai sentir, não sei qual será o seu próximo passo. Só sei que em dois meses pensarei nele toda vez que deitar na minha cama e não tiver ninguém para eu abraçar. Pensarei nele quando estiver triste e não houver ninguém para me fazer rir. Pensarei nele quando quiser conversar por horas e eu estiver sozinha.
Tenho medo que ele seja infeliz, talvez por achar que eu posso estar com a sua felicidade em minhas mãos. Mas pode ser que isso seja a minha felicidade, e não a dele. Eu não sou ninguém para mudar a vida de outra pessoa. É triste não ser ninguém.
Respiro fundo e vagarosamente para me acalmar, esquecer a saudade e não deixar nenhuma lágrima rolar. Ele era quem eu menos esperava e foi quem me fez feliz sem nem precisar se esforçar. Hoje eu quero mais do que lembranças.
Quando você fechar os olhos verá que eu estou ao seu lado, e quando precisar, ao abrir, eu estarei aí com você. Te esquecer, me separar, te ignorar vai ser impossível, por isso estarei sempre com você. Estarei sempre ao seu lado.