segunda-feira, 26 de julho de 2010

Só eles

Enquanto ele contava uma de suas histórias, eu divagava sobre o seu rosto. De onde surgiram aquelas marcas? E as rugas? O cabelo não era igual. Nem o sorriso ou os olhos. Ou será que eu nunca havia parado para reparar nos detalhes? Eu achava que seria impossível sentira falta daqueles que um dia eu quis longe. Hoje, todo momento perto é uma alegria sem fim.
Nunca achei que fosse dar tanto valor aos meus pais. Nunca achei que de fato ia crescer. Como é ruim ter problemas, se sentir sozinho, querer colo, e não achar absolutamente ninguém que chegue perto de substituir as pessoas mais importantes que nós temos.
Já chorei por estar doente, já chorei de desespero, já chorei de solidão. Já chorei por um abraço. Em seis meses morando longe, toda vez que vou dar tchau meus olhos ficam, no mínimo, mareados. Sempre desejo congelar o tempo no abraço da minha mãe, no seu carinho em meus cabelos. Ou então, no sorriso do meu pai, em seu “oi” de quando eu chego em casa.
Eu gosto da minha nova vida. Eu gosto do que faço e de onde estou. Eu gosto dos meus amigos. Mas nada substitui. E eu não quero que nada o faça. Afinal, sem sentir toda a tristeza de estar longe, eu não teria toda a alegria de estar perto. Ainda bem que eu dei valor. Ainda bem.