A grama era mais verde, as flores pareciam ter um aroma diferente e o céu não possuía o seu azul habitual. Estava caminhando há horas, mas não sabia ao certo qual era o seu destino. Seguia por uma estrada de pedras de cores, tamanhos e formatos diferentes. Sentiu vontade de parar e fazer parte daquela paisagem, mas alguma coisa a deteve na estrada. Estava sol, mas estranhamente não sentia calor ou transpirava. Tentava apenas entender o seu redor.
Avistou ao longe um chalé. O telhado era baixo, tinha uma pequena chaminé, as paredes eram brancas e as janelas e portas tinham forma de arco. Enquanto refletia a respeito de quem moraria em tal lugar percebeu que aquele chalé era o seu destino, e seguiu em passos apertados.
Bateu na porta com o pequeno arco que havia, e essa se abriu em seguida, mas não havia ninguém por de trás dela.
- Oi! Com licença? Tem alguém aí?- violeta começou a entrar com passos tímidos na casa, foi quando avistou um pequeno velhinho sentado em sua cadeira de balanço, com um cachimbo na mão e de costas para a porta.
- Pensei que você não viria...- disse uma voz fininha que continuava a fitar a lareira, sem se dar ao trabalho de virar- O prazo de três meses quase se esgotou... Você com certeza vai ser uma aprendiz difícil de lidar...
Mas antes que o velho pudesse continuar, Violeta o interrompeu:
- Prazo? Aprendiz? O senhor nem me conhece! Do que você ta falando?
O velhinho virou-se calmamente. Tinha olhos azuis, um azul que a menina nunca vira antes. O seu cabelo era inteiramente branco e penteado para o lado. Vestia um colete, blusa de manga comprida e calças de veludo, apesar do sol que fazia lá fora.
Violeta acordou suando frio e com falta de ar. Olhou em volta e estava em seu quarto, mas tinha a sensação de ter andado muito: suas pernas formigavam. Levantou-se e foi tomar um copo de água.
Para a sua surpresa a luz da cozinha estava acesa e ao entrar encontrou sua mãe sentada numa cadeira.
- Acordada a essa hora mãe?- Olhou intrigada.
- Devo perguntar o mesmo a você. Perdi o sono.- Respondeu a mãe, Mariana, ainda fitando a sua xícara de leite.
- Eu tive um sonho... Acordei sem ar e com as pernas doendo, sem contar que estava suando muito.
Mariana levantou a cabeça rapidamente e sussurrou algo como um agradecimento, mas Violeta estava com muito sono para ficar puxando papo. Já eram mais de três horas da manhã e ela tinha que levantar cedo no dia seguinte. Deu boa noite à mãe e retornou ao seu quarto.
Acordou no dia seguinte com o despertador tocando, mas dessa vez não sonhara.
Um comentário:
Postar um comentário