segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Capítulo 2: o princípio do adeus

As amigas conversavam no quarto. Podiam passar horas trancadas naquele lugar que iriam ter assunto por uma vida. Violeta sabia que sentia um amor puro pela sua melhor amiga e irmã, Clara.

Aqueles dias pareciam ser especiais, o Sol parecia brilhar mais forte, as flores exalavam um aroma mais puro, tudo parecia ter mais vida. As irmãs passavam as manhãs juntas e depois saiam com suas respectivas turmas.

Mas Violeta sabia que tudo iria mudar em apenas duas semanas, quando Clara saísse para uma viagem, que para ela nunca ficou bem explicada. Enquanto o dia não chegava, a sua única preocupação era aproveitar o que restava das férias.

O dia chegou, e para sua surpresa os pais não deixaram que Violeta acompanhasse a irmã até o aeroporto.

- Mas isso é um absurdo! Como vocês tem coragem?- Clara se aproximou da irmã e deu um abraço bem apertado enquanto dizia em seu ouvido:

- Acredita, é melhor assim, dói menos.

Violeta ficou olhando sua irmã se abaixar pegar duas malas no chão e sair de casa, para uma viagem sem data marcada para a voltar. Ela não acreditava no que via. Por uns cinco minutos ficou admirando a porta pela qual sua irmã havia saído.

O inverno estava quase no fim, e a felicidade que sentiu nos primeiros dias do ano pareceu ter se concentrado naqueles momentos. Era o seu último ano na escola, todos os amigos estavam se mudando para cidades diferentes e deixando para trás a pequena cidade.

A sua vida parecia não seguir trajetórias certas, os estudos tinham esgotado suas forças e vontades. Não tinha tempo para muita coisa. Viu seu namoro acabar e nem protestou contra isso. Apenas pensava que daquele jeito iria ser melhor.

Estava em seu quarto, presa em seus pensamentos, quando ouviu alguém abrir a porta. Virou-se para olhar quem era e não havia ninguém. Voltou a mergulhar em seus pensamentos quando percebeu que uma luz fraquinha entrava pela fresta aberta.

Levantou-se calmamente e seguiu em direção a porta, mas ao se aproximar a luz desapareceu. Olhou no relógio. Estava tarde, deveria ser o cansaço do dia corrido. Entrou no quarto e dessa vez mergulhou em um sono cansado.

No dia seguinte acordou pela primeira vez no ano atrasada, sua mãe havia lhe chamado mais de cinco vezes, mas a menina parecia ter se recusado a levantar. Violeta trocou de roupa correndo e foi comendo um pedaço de pão durante o caminho para a escola, enquanto sua amiga Alice a acompanhava.

- Como assim atrasada? Você nunca se atrasa!- Alice olhava incrédula para a amiga.

- Pois é! Eu também não entendo! Acho que eu estava muito cansada ontem, acabei dormindo demais.- Violeta tentava acreditar em suas próprias palavras enquanto mastigava o último pedaço de pão. Só faltava essa! Eu começa a me atrasar! Pensou irritada.

Passou o dia todo com uma sensação estranha no corpo, suas costas doíam e um forte cansaço tomava conta da menina. Assim que o último sinal tocou, Violeta saiu da sala sem esperar por Alice, estava cansada demais para ficar para em frente à escola.

Antes que pudesse chegar no portão da escola sentiu alguém puxar o seu braço. Na ponta dos pés, deslizou para trás enquanto seus cabelos brilhavam a luz do Sol. Marcelo passou alguns minutos sem conseguir reagir àquela cena. Os olhos, apesar de cansados, brilhavam um violeta mais vivo do que nunca. De acordo com a luz, adquiriam uma coloração diferente, alguns podiam jurar que eram azuis, outros diziam ser marrons, mas naquele momento a única cor que apareceu foi o violeta.

- Ouvi dizer que você não estava se sentindo bem... – Falou o menino em um tom sem graça.

- É, acordei indisposta, perdi hora logo cedo, não estou no melhor dia.- Disse Violeta fitando os pés.

- Quer companhia para ir até em casa?

- Ah, não sei, pode ser...

Os dois seguiram em direção a casa de Violeta sem dizer uma palavra, mas antes de virar a esquina Marcelo segurou o braço de Violeta, tentou começar uma frase, mas não conseguiu, apenas a abraçou, virou as costas e foi embora.

Sem entender muita coisa Violeta continuou andando, mas no fundo sabia que aquele era um abraço de despedida.

3 comentários:

upalele disse...

Esperando pelo próximo capítulo!

Aquela garota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.