Ela mexia nos finos fios de cabelo presos a sua nuca. Aqueles fiozinhos que não são mantidos fora do alcance da mão, e que para alguns representa apenas uma mania indesejável. De qualquer forma, ela enrolava e desenrolava os fios nos dedos.
Olhou para fora e suspirou mais forte. Tentou refazer, em vão, seus pensamentos. Não sabia de onde vinha e onde iria chegar. Suas conclusões não eram formadas, e sua linha de pensamento estava desorganizada.
Um aperto no coração não permitia que a cabeça funcionasse. Estava nervosa. Não, nervosa não, tinha medo, isso sim. Não gostava de perder o controle, mas sabia assumir que não o possuía há muito tempo.
As gotas de chuva continuavam a apostar corrida em sua janela. Agora não era apenas a chuva que rolava, sentia seus olhos úmidos, e pequenas lágrimas rolarem pelas bochechas e nariz. Tentou brigar contra o choro, mas não levantou a mão para seca-lo.
Sua irmã não estava por perto há quase um ano, seus estudos a frustravam, seus planos para o futuro pareciam impossíveis de serem realizados, viu seu avô ficar doente, viu suas amigas seguirem a vida, viu que estava sozinha.
Era melhor como amiga do que como companheira. E isso a frustrava mais do que qualquer coisa. Sentia falta de um amigo, e sabia que o havia perdido para sempre. Estava cansada de ficar sozinha, mas não tentou mudar a situação. Levou tudo até tornar insustentável. Mas pelo menos levou.
Percebeu que estava apoiada na beirada da janela a mais de uma hora. Levantou, secou o excesso molhado em seu rosto, virou-se e foi em direção a cama. Deitou e puxou o pesado cobertor até a ponta do nariz. Em pouco tempo adormeceu, sem nem mesmo perceber.
Olhou em volta e se deu conta de que estava em seu quarto. Os olhos ardiam, o rosto estava inchado e a cabeça doía. Odiava seus choros silenciosos. Levantou-se e seguiu em direção a cozinha.
Empurrou a porta vai-e-vem e viu seu pai de pé, com a mão apoiada nos ombros de sua mãe, que estava sentada em uma das quatro cadeiras de madeira, que formava a decoração daquela cozinha antiga.
-Acordou querida?- Violeta coçou os olhos em consentimento. O que os dois faziam parados na cozinha? Antes que pudesse perguntar a mãe começou a falar de novo:
-Vi, precisamos conversar.- Mais do que nunca a expressão no rosto dos pais era séria e rígida.- O vovô... Infelizmente ele não resistiu...
Violeta apenas observava o ambiente, como ela estava sendo tão fria? Nem uma lágrima? Era seu pai! Começou a chorar, mas agora um choro compulsivo e cheio de dor.
-Vocês não vão se manifestar? Nem mostrar tristeza?
-Meu amor, - começou o pai aproximando-se da menina - era uma coisa esperada, além disso, você terá que ser forte, pois têm algumas coisas que nós precisamos conversar, ou melhor, te contar.
Um comentário:
Muito bom seu blog Jú... Como acabei de te dizer, adorei seus textos!
Quero acompanhar de perto a criação desse futuro livro viu?!
Continue assim; você tem tudo para ser uma ótima escritora, aliás, já é!
Beijos, Fred.
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