quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

E o tempo passou, mas eu ainda sinto falta dela

eu levo o seu coração comigo

e. e. cummings


eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

tenho medo

que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)

O poema que eu coloquei no final do seu álbum... Te amo... Muito e de verdade. Não penso para não ficar triste, assim como na ida, a próxima volta aperta meu coração de saudade. Você sabe quando eu estou triste e por quê. Agora eu estou triste, mas não só por isso, por issos... Só queria você aqui, comigo, hoje, sempre.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Capítulo 2: o princípio do adeus

As amigas conversavam no quarto. Podiam passar horas trancadas naquele lugar que iriam ter assunto por uma vida. Violeta sabia que sentia um amor puro pela sua melhor amiga e irmã, Clara.

Aqueles dias pareciam ser especiais, o Sol parecia brilhar mais forte, as flores exalavam um aroma mais puro, tudo parecia ter mais vida. As irmãs passavam as manhãs juntas e depois saiam com suas respectivas turmas.

Mas Violeta sabia que tudo iria mudar em apenas duas semanas, quando Clara saísse para uma viagem, que para ela nunca ficou bem explicada. Enquanto o dia não chegava, a sua única preocupação era aproveitar o que restava das férias.

O dia chegou, e para sua surpresa os pais não deixaram que Violeta acompanhasse a irmã até o aeroporto.

- Mas isso é um absurdo! Como vocês tem coragem?- Clara se aproximou da irmã e deu um abraço bem apertado enquanto dizia em seu ouvido:

- Acredita, é melhor assim, dói menos.

Violeta ficou olhando sua irmã se abaixar pegar duas malas no chão e sair de casa, para uma viagem sem data marcada para a voltar. Ela não acreditava no que via. Por uns cinco minutos ficou admirando a porta pela qual sua irmã havia saído.

O inverno estava quase no fim, e a felicidade que sentiu nos primeiros dias do ano pareceu ter se concentrado naqueles momentos. Era o seu último ano na escola, todos os amigos estavam se mudando para cidades diferentes e deixando para trás a pequena cidade.

A sua vida parecia não seguir trajetórias certas, os estudos tinham esgotado suas forças e vontades. Não tinha tempo para muita coisa. Viu seu namoro acabar e nem protestou contra isso. Apenas pensava que daquele jeito iria ser melhor.

Estava em seu quarto, presa em seus pensamentos, quando ouviu alguém abrir a porta. Virou-se para olhar quem era e não havia ninguém. Voltou a mergulhar em seus pensamentos quando percebeu que uma luz fraquinha entrava pela fresta aberta.

Levantou-se calmamente e seguiu em direção a porta, mas ao se aproximar a luz desapareceu. Olhou no relógio. Estava tarde, deveria ser o cansaço do dia corrido. Entrou no quarto e dessa vez mergulhou em um sono cansado.

No dia seguinte acordou pela primeira vez no ano atrasada, sua mãe havia lhe chamado mais de cinco vezes, mas a menina parecia ter se recusado a levantar. Violeta trocou de roupa correndo e foi comendo um pedaço de pão durante o caminho para a escola, enquanto sua amiga Alice a acompanhava.

- Como assim atrasada? Você nunca se atrasa!- Alice olhava incrédula para a amiga.

- Pois é! Eu também não entendo! Acho que eu estava muito cansada ontem, acabei dormindo demais.- Violeta tentava acreditar em suas próprias palavras enquanto mastigava o último pedaço de pão. Só faltava essa! Eu começa a me atrasar! Pensou irritada.

Passou o dia todo com uma sensação estranha no corpo, suas costas doíam e um forte cansaço tomava conta da menina. Assim que o último sinal tocou, Violeta saiu da sala sem esperar por Alice, estava cansada demais para ficar para em frente à escola.

Antes que pudesse chegar no portão da escola sentiu alguém puxar o seu braço. Na ponta dos pés, deslizou para trás enquanto seus cabelos brilhavam a luz do Sol. Marcelo passou alguns minutos sem conseguir reagir àquela cena. Os olhos, apesar de cansados, brilhavam um violeta mais vivo do que nunca. De acordo com a luz, adquiriam uma coloração diferente, alguns podiam jurar que eram azuis, outros diziam ser marrons, mas naquele momento a única cor que apareceu foi o violeta.

- Ouvi dizer que você não estava se sentindo bem... – Falou o menino em um tom sem graça.

- É, acordei indisposta, perdi hora logo cedo, não estou no melhor dia.- Disse Violeta fitando os pés.

- Quer companhia para ir até em casa?

- Ah, não sei, pode ser...

Os dois seguiram em direção a casa de Violeta sem dizer uma palavra, mas antes de virar a esquina Marcelo segurou o braço de Violeta, tentou começar uma frase, mas não conseguiu, apenas a abraçou, virou as costas e foi embora.

Sem entender muita coisa Violeta continuou andando, mas no fundo sabia que aquele era um abraço de despedida.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Capítulo 1: o choro

Ela mexia nos finos fios de cabelo presos a sua nuca. Aqueles fiozinhos que não são mantidos fora do alcance da mão, e que para alguns representa apenas uma mania indesejável. De qualquer forma, ela enrolava e desenrolava os fios nos dedos.

Olhou para fora e suspirou mais forte. Tentou refazer, em vão, seus pensamentos. Não sabia de onde vinha e onde iria chegar. Suas conclusões não eram formadas, e sua linha de pensamento estava desorganizada.

Um aperto no coração não permitia que a cabeça funcionasse. Estava nervosa. Não, nervosa não, tinha medo, isso sim. Não gostava de perder o controle, mas sabia assumir que não o possuía há muito tempo.

As gotas de chuva continuavam a apostar corrida em sua janela. Agora não era apenas a chuva que rolava, sentia seus olhos úmidos, e pequenas lágrimas rolarem pelas bochechas e nariz. Tentou brigar contra o choro, mas não levantou a mão para seca-lo.

Sua irmã não estava por perto há quase um ano, seus estudos a frustravam, seus planos para o futuro pareciam impossíveis de serem realizados, viu seu avô ficar doente, viu suas amigas seguirem a vida, viu que estava sozinha.

Era melhor como amiga do que como companheira. E isso a frustrava mais do que qualquer coisa. Sentia falta de um amigo, e sabia que o havia perdido para sempre. Estava cansada de ficar sozinha, mas não tentou mudar a situação. Levou tudo até tornar insustentável. Mas pelo menos levou.

Percebeu que estava apoiada na beirada da janela a mais de uma hora. Levantou, secou o excesso molhado em seu rosto, virou-se e foi em direção a cama. Deitou e puxou o pesado cobertor até a ponta do nariz. Em pouco tempo adormeceu, sem nem mesmo perceber.

Olhou em volta e se deu conta de que estava em seu quarto. Os olhos ardiam, o rosto estava inchado e a cabeça doía. Odiava seus choros silenciosos. Levantou-se e seguiu em direção a cozinha.

Empurrou a porta vai-e-vem e viu seu pai de pé, com a mão apoiada nos ombros de sua mãe, que estava sentada em uma das quatro cadeiras de madeira, que formava a decoração daquela cozinha antiga.

-Acordou querida?- Violeta coçou os olhos em consentimento. O que os dois faziam parados na cozinha? Antes que pudesse perguntar a mãe começou a falar de novo:

-Vi, precisamos conversar.- Mais do que nunca a expressão no rosto dos pais era séria e rígida.- O vovô... Infelizmente ele não resistiu...

Violeta apenas observava o ambiente, como ela estava sendo tão fria? Nem uma lágrima? Era seu pai! Começou a chorar, mas agora um choro compulsivo e cheio de dor.

-Vocês não vão se manifestar? Nem mostrar tristeza?

-Meu amor, - começou o pai aproximando-se da menina - era uma coisa esperada, além disso, você terá que ser forte, pois têm algumas coisas que nós precisamos conversar, ou melhor, te contar.

Violeta puxou a cadeira na sua frente, pelo jeito a conversa ia ser longa.