segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Imã acidental

Eu sempre fugi de acidentes. Evitava subir em árvores, trepa-trepas, argolas, trampolins, praticar ginástica olímpica, dar estrelas, cambalhotas, parada-de-mão, tudo isso com o objetivo de manter todos os meus ossos inteiros e intactos, o meu pescoço no lugar e a minha pele lisinha, sem cicatrizes bizonhas. Eu sempre fui uma criança muito prudente.
Mas como diria a Mary Help, a Lei de Smurf me pegou de jeito. Esse ano foi consagrado pelas dregaças tombísticas. Comecemos por onde a desgraça se instalou.
Festa Junina. Além de ser a minha data prefirida no ano (tirando, o meu aniversário e o Natal) era a minha última festa como aluna do Gracinha. A minha amiga, que no momento era o meu par, resolveu ser mais ogra do que nunca e no dia me rodar como uma louca e eu de papete (sinônimo: caia com certeza), escorreguei e ela pisou no meu pé. Resumo, virei colchão dela na única parte da dança em que os casais passavam sozinhos no meio da galera. Pequena observação, como eu já havia dito, era o meu último ano, ou seja, todos os pais estavam filmando. Fez um galo na minha cabeça do tamanho de um hipopótamo.
Festa de formatura. Minha festa de formatura! Ah! Como eu estava feliz! Vestido novo, salto agulha, maquiagem perfeita, cabelos ao natural. Nem havia eu começado a beber, conseguia reagir a todos instintos ao redor, ou melhor, quase todos. Estava eu conversando com alguns amigos, quando eu sinto algo grande trambando com a minha pessoa. Depois de dar uns três rodopios no mesmo lugar, eu me estabilizo em um ponto só e olho. Um carrinho de sorvete puxado por um homem insano havia me atropelado. No instante seguinte, eu olho na outra direção, todos os formandos corriam em direção ao carrinho, só deu tempo de dar um passo para trás. O melhor de tudo, nem comendo doce eu estou.
Mesma festa de formatura. Já recomposta, passeio pela festa. Uns momentos perdida, mas me achando muito, afinal, era a minha festa de formatura. Um breve momento de distração e eu já não respondia muito bem aos fatos externos, um fdp pisou no meu pé. Não. Pisou foi pouco, ele esmagou o meu pé. Olhei para ver quem era, um coleguinha de classe, mais bêbado que um gamba, brigando por causa da namorada. Ou melhor, pela namorada, que é uma louca psicótica que acha que todo mundo ama o namorado dela e foi brigar com uma menina que havia ficado com ele, antes deles namorarem. A menina-macho da minha escola descobriu da briga e se meteu no meio para defender a menina que ia apanhar da namorada. Conclusão: a namorada foi parar no pronto socorro de tanto apanhar. E eu cheguei a achar que tinha quebrado dois dedos do pé, não os senti por mais de uma semana e depois de um mês ainda tem um um roxo no meu pé.
Outra festa de formatura. Infelizmente não tive chance/ajuda financeira de comprar um vestido novo, nem um sapato, a maquiagem era parecida e o cabelo permanecia ao natural. A minha melhor amiga arrajnou um cacho na festa e eu fiquei pairando sem conhcer ninguém. Fui até o bar e com o melhor sorriso pedi: "Eu queria uma caipirinha de saquê com kiwi!", o barman (mais grosso que eu já conheci) falou: "Kiwi tá chegando, só tem lima da pérsia". Ok, que venha a de lima da pérsia, apesar de estar muito contra aquela situação. A pior caipirinha da vida. Doce que doía, e olha que para eu achar algo doce é difícil. Mas enfim, segui o meu caminho perdida tomando a dita caipirinha. Fui em direção ao outro bar pensando em que outra bebida eu iria pedir. Em frente ao bar estava a minha amiga com o cacho dela, dei uma risadinha, fiz uma brincadeirinha de longe, quando do nada estou eu no chão. No exato lugar que eu estava, teve uma briga atrás de mim e um cara que era o triplo da minha pequena pessoa me fez de colchão de briga. O idiota levantou e nem reparou que eu estava em baixo, ou se eu estava inteira meleca de caipirinha de lima da pérsia. Com o rosto colado no chão olho para a minha amiga com cara de desespero e ela troca olhares comigo, mas não se move. Assim que o brutamonte saiu de cima de mim eu me recompus em poucos segundos e saí andando, como se nada tivesse me atingindo e como se aquele melado em mim fosse a minha gostosura natural. Quase perdi o meu corretivo da MAC, que voou da minha bolsa. Fui do lado da minha amiga e de uma leve analisada o meu joelho que estava pegando fogo de tanto doer. Não havia nada, só um raladinho. Continuei andando, cinco minutos depois olhei o joelho de novo. Estava mais inchado que as bochechas do Kiko. Desepero. Minha amiga me encontrou e foi comigo até o bar. Eu peguei gelo e fiquei uma hora SOZINHA fazendo compressa. Depois obviamente arranquei todo mundo a força da festa.
Já em casa, isso as seis horas da matina, a minha amiga já dormindo, eu resolvi mostrar o estrago para a minha mãe. Ela sem nem pensar duas vezes, ao observar aquela pretidão toda, falou: "Vou te levar no médico!", e eu com uma calma que até eu me surpreendi falei: "Não se preocupa mãe, tava pior, mas eu coloquei gelo e já desinchou um pouco". Ela pegou um salompas-americano, eu coloquei no local e fui dormir. Faz um mês. O meu joelho ainda possui partes roxas e movimentos bruscos são evitados. Antes de virar e ir dormir falei para a minha mãe: "Relaxa mãe, da próxima festa eu volto ou de cadeira de rodas ou de ambulância".