sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Vamos falar de musicias: minha paixão

Nunca achei que ia ter tanta dificuldade em escrever um texto. São tantas informações, sentimentos, paixões misturadas que tenho dificuldade de orgazinar meu pensamentos e fazer uma linha de raciocionio coerente. E o pior de tudo é que eu quero muito escrever esse texto, então a aflição vai ao nível mil. Mas apesar de toda a dificuldade vou tentar mais uma vez (já apaguei e larguei esse texto umas 3 vezes).

Quando eu era pequena, mas bem pequena mesmo, eu assistia Mágico de Oz, pelo menos eu acho que as lembranças vagas que eu tenho são do filme. Era (ainda sou) fissurada nos desenhos da Disney. E tinha muito gosto por trilhas sonoras. Minha mãe tinha um CD da Jane Duboc, chamado Movie Melodies, que era um dos meus preferidos, e eu nem sabia o que significava movie ou melodies, mas gostava do CD. Tudo isso que eu estou contando é pra falar que eu já tinha uma queda por musicais, sem nem saber o que eram musicais.

Com 11 anos, em 2001, minha mãe me levou para assistir Les Miserables, que estava em cartaz no Teatro Abril. Não tenho ideia de como estavam as minhas expectativas, mas sei muito bem como me senti durante e depois da peça. Fiquei encantada/apaixonada/em êxtase com tudo: todas aquelas pessoas cantando, o céu falso de estrelas, as janelas feitas com luz, o palco giratório. Era muita mágica para uma peça só. Saí deslumbrada e com vontade de viver naquela peça e de assisti-lá mais mil vezes.

Depois dos Miseráveis, aluguei novamente O Mágico de Oz, e assisti até perder a conta e decorar as falas. Depois disso vieram outras peças e filmes: Chicago, Bela e a Fera, Singing in the Rain, Grease… Hoje em dia são tantos que não tenho como listar todos eles. Eu entendo alguma coisa de teatro? Não, nada. E de canto? Menos ainda. E dança? O mínimo do mínimo. Mas eu desenvolvi um conhecimento bom de tanto assistir. As vezes eu tenho a sensação que vejo e ouço mais que os outros. Não porque eu me ache melhor ou algo assim, mas porque eu crio tantas expectativas e gosto de reparar em tantos detalhes que acabo vendo mais que os outros mesmo.

Não me considero uma expert em musicais, mas gosto muito, e eles são a minha paixão. Dependendo da peça eu saio tão animada que me sinto com 11 anos novamente. Eu acho que todas as horas e peças que assisti me fazem entender um pouco mais. E cobrar mais também. Isso vai ficar bem claro nas futuras resenhas que pretendo escrever sobre os musicais que eu vou. Vocês vão ver que eu posso ser insuportável quando o assunto é musical. Aliás esse texto é um meio de eu tentar justificar porque eu vou falar de musicais dando tantos pitacos. Estou tentando criar um respaldo aqui.

Meu ídolo é o Daniel Boaventura. Assisti ele pela primeira vez em 2002, quando interpretou o Gastão de A Bela e a Fera. Virei fã na hora. E até hoje quando assisto vídeos no YouTube entendo porque isso aconteceu. Todo mundo que me conhece sabe o quanto eu gosto dele. Comecei a acompanhá-lo aos 12 anos, hoje já estou com 26 e nada mudou. Pelo menos em relação a minha admiração. Dos musicais que ele fez só não assisti Victor e Victória, que foi antes de A Bela e a Fera, e Família Addams (ah, se arrependimento matasse…). Mas ele vai ter um texto em separado algum dia.

Falei do Daniel Boaventura só para justificar que alguns musicais estão vindo pela segunda vez ao Brasil, como My Fair Lady, e a primeira vez que assisti foi com ele, então a minha comparação e julgamento nesses casos serão mais tendenciosas, confesso.

Agora, depois de tudo explicado, todos os pingos nos “is” colocados, é só esperar os musicais virem junto com as resenhas!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Depois de muito tempo...

Recentemente eu percebi o estrago que somos capazes de nos fazer. Alguma pessoas extrapolam esse estrago para o corpo, outras deixam preso na mente e se perdem por ali. Por mais piegas que pareça, o amor próprio é uma construção diária, e é muito mais fácil não ter nenhum ou destruir o existente, do que construir e manter. ´

A falta de amor próprio pode vir por não ter o corpo perfeito, não ser a melhor aluna, por querer incessantemente agradar os outros e ser aceita… Enfim, são tantas possibilidades do que não se pode ser. E eu sou assim. Mas essa semana me dei conta, durante a terapia obviamente, de como é exaustivo correr atrás dessas coisas. Talvez não tenha me dado conta, mas saiu a neblina que encobria esse pensamento.

Eu sempre quis ser mais, e sempre dúvidei de mim e das minhas escolhas. Acho certo sempre querermos melhorar, mas existem coisas que não poderemos ter, porque simplesmente não somos assim. Caso tentemos desesperadamente ser daquele jeito, seremos tristes porque vamos fracassar ou porque aquele objetivo é para ser atingido por outra pessoa e não por nós. Vou dar alguns exemplos bobos baseado no que vivi: eu acho a minha bunda muito grande. Eu tenho como mudar isso? Sim, se eu fizer uma plástica. Eu estou disposta a fazer uma plástica? Não. Então minha bunda vai continuar do jeito que é. E isso não é ruim (nota pessoal da autora). Outro exemplo: eu falo, e gosto de falar palavrão, mas muita gente recrimina e diz que é errado. Eu já pensei que isso fosse verdade e quis ser correta no olhar dessas pessoas? Sim. Eu parei de falar palavrão? Tentei, mas não deu, faltavam palavras e me senti incompleta. Me sentia falsa, com coisas guardadas, que eu gostava de expressar com o palavrão.

Eu sou e fui por muito tempo triste. A depressão anda ao meu lado há muito tempo, não falo dela, tenho vergonha, me sinto pior (mais um chute no amor próprio). Nem sempre fui triste e não sou o tempo todo. Mas ter altos e baixos faz parte de mim. Como não sou feliz com o que eu tenho, me comparo ao outro e espero o impossível. Só que nesse meio tempo, perco tudo de bom que não consigo ver. Até porque aprendi que apreciar o que eu tenho de bom não é certo, ou educado.

Todo esse discurso de apreciar e valorizar o amor próprio é lindo, mas é muito dificil de ser praticado. Principalmente porque a auto aceitação é muito difícil. Pelo menos para mim. Eu sempre acho a grama do vizinho mais verde. Percebi que é preciso me desvencilhar do que me faz acreditar que sou pior, algumas vezes preciso me separar de mim mesma, e isso é muito difícil. Algumas vezes temos verdades (não tão verdadeiras) que andam com a gente há tanto tempo que é difícil não acreditar nelas. É aquela velha história de uma mentira que foi contada tantas vezes que virou verdade.

E nesse fluxo de querer aprender a me amar que comecei a escrever esse texto. Fiz também porquer escrever era uma das minhas coisas favoritas, mas que abandonei. Sou uma esfera, mas há tempos estou presa em um cubo. Hoje começo a passar uma lixa no vértice para moldá-lo melhor e ficar mais confortável.

sábado, 27 de novembro de 2010

Saudade

Enquanto ele me falava dos meus olhos, não percebia que eu reparava nos seus. Tinham um formato delicado, cílios espessos e um marrom profundo. A composição olhos, sobrancelha e nariz sempre me agradou muito. Mas tudo isso não era nada perto da sensação que aqueles olhos me provocavam. Pela primeira vez me vi nos olhos de outra pessoa. Pela primeira vez me vi.
Prometi não me envolver e não gostar. Das promessas em vão que já fiz, essas talvez foram as piores. Tentei me enganar, e o convenci me enganando.
Não sei o que acontecerá agora, não sei o que ele vai sentir, não sei qual será o seu próximo passo. Só sei que em dois meses pensarei nele toda vez que deitar na minha cama e não tiver ninguém para eu abraçar. Pensarei nele quando estiver triste e não houver ninguém para me fazer rir. Pensarei nele quando quiser conversar por horas e eu estiver sozinha.
Tenho medo que ele seja infeliz, talvez por achar que eu posso estar com a sua felicidade em minhas mãos. Mas pode ser que isso seja a minha felicidade, e não a dele. Eu não sou ninguém para mudar a vida de outra pessoa. É triste não ser ninguém.
Respiro fundo e vagarosamente para me acalmar, esquecer a saudade e não deixar nenhuma lágrima rolar. Ele era quem eu menos esperava e foi quem me fez feliz sem nem precisar se esforçar. Hoje eu quero mais do que lembranças.
Quando você fechar os olhos verá que eu estou ao seu lado, e quando precisar, ao abrir, eu estarei aí com você. Te esquecer, me separar, te ignorar vai ser impossível, por isso estarei sempre com você. Estarei sempre ao seu lado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Só eles

Enquanto ele contava uma de suas histórias, eu divagava sobre o seu rosto. De onde surgiram aquelas marcas? E as rugas? O cabelo não era igual. Nem o sorriso ou os olhos. Ou será que eu nunca havia parado para reparar nos detalhes? Eu achava que seria impossível sentira falta daqueles que um dia eu quis longe. Hoje, todo momento perto é uma alegria sem fim.
Nunca achei que fosse dar tanto valor aos meus pais. Nunca achei que de fato ia crescer. Como é ruim ter problemas, se sentir sozinho, querer colo, e não achar absolutamente ninguém que chegue perto de substituir as pessoas mais importantes que nós temos.
Já chorei por estar doente, já chorei de desespero, já chorei de solidão. Já chorei por um abraço. Em seis meses morando longe, toda vez que vou dar tchau meus olhos ficam, no mínimo, mareados. Sempre desejo congelar o tempo no abraço da minha mãe, no seu carinho em meus cabelos. Ou então, no sorriso do meu pai, em seu “oi” de quando eu chego em casa.
Eu gosto da minha nova vida. Eu gosto do que faço e de onde estou. Eu gosto dos meus amigos. Mas nada substitui. E eu não quero que nada o faça. Afinal, sem sentir toda a tristeza de estar longe, eu não teria toda a alegria de estar perto. Ainda bem que eu dei valor. Ainda bem.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Capítulo 3: o chalé

A grama era mais verde, as flores pareciam ter um aroma diferente e o céu não possuía o seu azul habitual. Estava caminhando há horas, mas não sabia ao certo qual era o seu destino. Seguia por uma estrada de pedras de cores, tamanhos e formatos diferentes. Sentiu vontade de parar e fazer parte daquela paisagem, mas alguma coisa a deteve na estrada. Estava sol, mas estranhamente não sentia calor ou transpirava. Tentava apenas entender o seu redor.

Avistou ao longe um chalé. O telhado era baixo, tinha uma pequena chaminé, as paredes eram brancas e as janelas e portas tinham forma de arco. Enquanto refletia a respeito de quem moraria em tal lugar percebeu que aquele chalé era o seu destino, e seguiu em passos apertados.

Bateu na porta com o pequeno arco que havia, e essa se abriu em seguida, mas não havia ninguém por de trás dela.

- Oi! Com licença? Tem alguém aí?- violeta começou a entrar com passos tímidos na casa, foi quando avistou um pequeno velhinho sentado em sua cadeira de balanço, com um cachimbo na mão e de costas para a porta.

- Pensei que você não viria...- disse uma voz fininha que continuava a fitar a lareira, sem se dar ao trabalho de virar- O prazo de três meses quase se esgotou... Você com certeza vai ser uma aprendiz difícil de lidar...

Mas antes que o velho pudesse continuar, Violeta o interrompeu:

- Prazo? Aprendiz? O senhor nem me conhece! Do que você ta falando?

O velhinho virou-se calmamente. Tinha olhos azuis, um azul que a menina nunca vira antes. O seu cabelo era inteiramente branco e penteado para o lado. Vestia um colete, blusa de manga comprida e calças de veludo, apesar do sol que fazia lá fora.

Violeta acordou suando frio e com falta de ar. Olhou em volta e estava em seu quarto, mas tinha a sensação de ter andado muito: suas pernas formigavam. Levantou-se e foi tomar um copo de água.

Para a sua surpresa a luz da cozinha estava acesa e ao entrar encontrou sua mãe sentada numa cadeira.

- Acordada a essa hora mãe?- Olhou intrigada.

- Devo perguntar o mesmo a você. Perdi o sono.- Respondeu a mãe, Mariana, ainda fitando a sua xícara de leite.

- Eu tive um sonho... Acordei sem ar e com as pernas doendo, sem contar que estava suando muito.

Mariana levantou a cabeça rapidamente e sussurrou algo como um agradecimento, mas Violeta estava com muito sono para ficar puxando papo. Já eram mais de três horas da manhã e ela tinha que levantar cedo no dia seguinte. Deu boa noite à mãe e retornou ao seu quarto.

Acordou no dia seguinte com o despertador tocando, mas dessa vez não sonhara.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

E o tempo passou, mas eu ainda sinto falta dela

eu levo o seu coração comigo

e. e. cummings


eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

tenho medo

que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)

O poema que eu coloquei no final do seu álbum... Te amo... Muito e de verdade. Não penso para não ficar triste, assim como na ida, a próxima volta aperta meu coração de saudade. Você sabe quando eu estou triste e por quê. Agora eu estou triste, mas não só por isso, por issos... Só queria você aqui, comigo, hoje, sempre.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Capítulo 2: o princípio do adeus

As amigas conversavam no quarto. Podiam passar horas trancadas naquele lugar que iriam ter assunto por uma vida. Violeta sabia que sentia um amor puro pela sua melhor amiga e irmã, Clara.

Aqueles dias pareciam ser especiais, o Sol parecia brilhar mais forte, as flores exalavam um aroma mais puro, tudo parecia ter mais vida. As irmãs passavam as manhãs juntas e depois saiam com suas respectivas turmas.

Mas Violeta sabia que tudo iria mudar em apenas duas semanas, quando Clara saísse para uma viagem, que para ela nunca ficou bem explicada. Enquanto o dia não chegava, a sua única preocupação era aproveitar o que restava das férias.

O dia chegou, e para sua surpresa os pais não deixaram que Violeta acompanhasse a irmã até o aeroporto.

- Mas isso é um absurdo! Como vocês tem coragem?- Clara se aproximou da irmã e deu um abraço bem apertado enquanto dizia em seu ouvido:

- Acredita, é melhor assim, dói menos.

Violeta ficou olhando sua irmã se abaixar pegar duas malas no chão e sair de casa, para uma viagem sem data marcada para a voltar. Ela não acreditava no que via. Por uns cinco minutos ficou admirando a porta pela qual sua irmã havia saído.

O inverno estava quase no fim, e a felicidade que sentiu nos primeiros dias do ano pareceu ter se concentrado naqueles momentos. Era o seu último ano na escola, todos os amigos estavam se mudando para cidades diferentes e deixando para trás a pequena cidade.

A sua vida parecia não seguir trajetórias certas, os estudos tinham esgotado suas forças e vontades. Não tinha tempo para muita coisa. Viu seu namoro acabar e nem protestou contra isso. Apenas pensava que daquele jeito iria ser melhor.

Estava em seu quarto, presa em seus pensamentos, quando ouviu alguém abrir a porta. Virou-se para olhar quem era e não havia ninguém. Voltou a mergulhar em seus pensamentos quando percebeu que uma luz fraquinha entrava pela fresta aberta.

Levantou-se calmamente e seguiu em direção a porta, mas ao se aproximar a luz desapareceu. Olhou no relógio. Estava tarde, deveria ser o cansaço do dia corrido. Entrou no quarto e dessa vez mergulhou em um sono cansado.

No dia seguinte acordou pela primeira vez no ano atrasada, sua mãe havia lhe chamado mais de cinco vezes, mas a menina parecia ter se recusado a levantar. Violeta trocou de roupa correndo e foi comendo um pedaço de pão durante o caminho para a escola, enquanto sua amiga Alice a acompanhava.

- Como assim atrasada? Você nunca se atrasa!- Alice olhava incrédula para a amiga.

- Pois é! Eu também não entendo! Acho que eu estava muito cansada ontem, acabei dormindo demais.- Violeta tentava acreditar em suas próprias palavras enquanto mastigava o último pedaço de pão. Só faltava essa! Eu começa a me atrasar! Pensou irritada.

Passou o dia todo com uma sensação estranha no corpo, suas costas doíam e um forte cansaço tomava conta da menina. Assim que o último sinal tocou, Violeta saiu da sala sem esperar por Alice, estava cansada demais para ficar para em frente à escola.

Antes que pudesse chegar no portão da escola sentiu alguém puxar o seu braço. Na ponta dos pés, deslizou para trás enquanto seus cabelos brilhavam a luz do Sol. Marcelo passou alguns minutos sem conseguir reagir àquela cena. Os olhos, apesar de cansados, brilhavam um violeta mais vivo do que nunca. De acordo com a luz, adquiriam uma coloração diferente, alguns podiam jurar que eram azuis, outros diziam ser marrons, mas naquele momento a única cor que apareceu foi o violeta.

- Ouvi dizer que você não estava se sentindo bem... – Falou o menino em um tom sem graça.

- É, acordei indisposta, perdi hora logo cedo, não estou no melhor dia.- Disse Violeta fitando os pés.

- Quer companhia para ir até em casa?

- Ah, não sei, pode ser...

Os dois seguiram em direção a casa de Violeta sem dizer uma palavra, mas antes de virar a esquina Marcelo segurou o braço de Violeta, tentou começar uma frase, mas não conseguiu, apenas a abraçou, virou as costas e foi embora.

Sem entender muita coisa Violeta continuou andando, mas no fundo sabia que aquele era um abraço de despedida.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Capítulo 1: o choro

Ela mexia nos finos fios de cabelo presos a sua nuca. Aqueles fiozinhos que não são mantidos fora do alcance da mão, e que para alguns representa apenas uma mania indesejável. De qualquer forma, ela enrolava e desenrolava os fios nos dedos.

Olhou para fora e suspirou mais forte. Tentou refazer, em vão, seus pensamentos. Não sabia de onde vinha e onde iria chegar. Suas conclusões não eram formadas, e sua linha de pensamento estava desorganizada.

Um aperto no coração não permitia que a cabeça funcionasse. Estava nervosa. Não, nervosa não, tinha medo, isso sim. Não gostava de perder o controle, mas sabia assumir que não o possuía há muito tempo.

As gotas de chuva continuavam a apostar corrida em sua janela. Agora não era apenas a chuva que rolava, sentia seus olhos úmidos, e pequenas lágrimas rolarem pelas bochechas e nariz. Tentou brigar contra o choro, mas não levantou a mão para seca-lo.

Sua irmã não estava por perto há quase um ano, seus estudos a frustravam, seus planos para o futuro pareciam impossíveis de serem realizados, viu seu avô ficar doente, viu suas amigas seguirem a vida, viu que estava sozinha.

Era melhor como amiga do que como companheira. E isso a frustrava mais do que qualquer coisa. Sentia falta de um amigo, e sabia que o havia perdido para sempre. Estava cansada de ficar sozinha, mas não tentou mudar a situação. Levou tudo até tornar insustentável. Mas pelo menos levou.

Percebeu que estava apoiada na beirada da janela a mais de uma hora. Levantou, secou o excesso molhado em seu rosto, virou-se e foi em direção a cama. Deitou e puxou o pesado cobertor até a ponta do nariz. Em pouco tempo adormeceu, sem nem mesmo perceber.

Olhou em volta e se deu conta de que estava em seu quarto. Os olhos ardiam, o rosto estava inchado e a cabeça doía. Odiava seus choros silenciosos. Levantou-se e seguiu em direção a cozinha.

Empurrou a porta vai-e-vem e viu seu pai de pé, com a mão apoiada nos ombros de sua mãe, que estava sentada em uma das quatro cadeiras de madeira, que formava a decoração daquela cozinha antiga.

-Acordou querida?- Violeta coçou os olhos em consentimento. O que os dois faziam parados na cozinha? Antes que pudesse perguntar a mãe começou a falar de novo:

-Vi, precisamos conversar.- Mais do que nunca a expressão no rosto dos pais era séria e rígida.- O vovô... Infelizmente ele não resistiu...

Violeta apenas observava o ambiente, como ela estava sendo tão fria? Nem uma lágrima? Era seu pai! Começou a chorar, mas agora um choro compulsivo e cheio de dor.

-Vocês não vão se manifestar? Nem mostrar tristeza?

-Meu amor, - começou o pai aproximando-se da menina - era uma coisa esperada, além disso, você terá que ser forte, pois têm algumas coisas que nós precisamos conversar, ou melhor, te contar.

Violeta puxou a cadeira na sua frente, pelo jeito a conversa ia ser longa.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Imã acidental

Eu sempre fugi de acidentes. Evitava subir em árvores, trepa-trepas, argolas, trampolins, praticar ginástica olímpica, dar estrelas, cambalhotas, parada-de-mão, tudo isso com o objetivo de manter todos os meus ossos inteiros e intactos, o meu pescoço no lugar e a minha pele lisinha, sem cicatrizes bizonhas. Eu sempre fui uma criança muito prudente.
Mas como diria a Mary Help, a Lei de Smurf me pegou de jeito. Esse ano foi consagrado pelas dregaças tombísticas. Comecemos por onde a desgraça se instalou.
Festa Junina. Além de ser a minha data prefirida no ano (tirando, o meu aniversário e o Natal) era a minha última festa como aluna do Gracinha. A minha amiga, que no momento era o meu par, resolveu ser mais ogra do que nunca e no dia me rodar como uma louca e eu de papete (sinônimo: caia com certeza), escorreguei e ela pisou no meu pé. Resumo, virei colchão dela na única parte da dança em que os casais passavam sozinhos no meio da galera. Pequena observação, como eu já havia dito, era o meu último ano, ou seja, todos os pais estavam filmando. Fez um galo na minha cabeça do tamanho de um hipopótamo.
Festa de formatura. Minha festa de formatura! Ah! Como eu estava feliz! Vestido novo, salto agulha, maquiagem perfeita, cabelos ao natural. Nem havia eu começado a beber, conseguia reagir a todos instintos ao redor, ou melhor, quase todos. Estava eu conversando com alguns amigos, quando eu sinto algo grande trambando com a minha pessoa. Depois de dar uns três rodopios no mesmo lugar, eu me estabilizo em um ponto só e olho. Um carrinho de sorvete puxado por um homem insano havia me atropelado. No instante seguinte, eu olho na outra direção, todos os formandos corriam em direção ao carrinho, só deu tempo de dar um passo para trás. O melhor de tudo, nem comendo doce eu estou.
Mesma festa de formatura. Já recomposta, passeio pela festa. Uns momentos perdida, mas me achando muito, afinal, era a minha festa de formatura. Um breve momento de distração e eu já não respondia muito bem aos fatos externos, um fdp pisou no meu pé. Não. Pisou foi pouco, ele esmagou o meu pé. Olhei para ver quem era, um coleguinha de classe, mais bêbado que um gamba, brigando por causa da namorada. Ou melhor, pela namorada, que é uma louca psicótica que acha que todo mundo ama o namorado dela e foi brigar com uma menina que havia ficado com ele, antes deles namorarem. A menina-macho da minha escola descobriu da briga e se meteu no meio para defender a menina que ia apanhar da namorada. Conclusão: a namorada foi parar no pronto socorro de tanto apanhar. E eu cheguei a achar que tinha quebrado dois dedos do pé, não os senti por mais de uma semana e depois de um mês ainda tem um um roxo no meu pé.
Outra festa de formatura. Infelizmente não tive chance/ajuda financeira de comprar um vestido novo, nem um sapato, a maquiagem era parecida e o cabelo permanecia ao natural. A minha melhor amiga arrajnou um cacho na festa e eu fiquei pairando sem conhcer ninguém. Fui até o bar e com o melhor sorriso pedi: "Eu queria uma caipirinha de saquê com kiwi!", o barman (mais grosso que eu já conheci) falou: "Kiwi tá chegando, só tem lima da pérsia". Ok, que venha a de lima da pérsia, apesar de estar muito contra aquela situação. A pior caipirinha da vida. Doce que doía, e olha que para eu achar algo doce é difícil. Mas enfim, segui o meu caminho perdida tomando a dita caipirinha. Fui em direção ao outro bar pensando em que outra bebida eu iria pedir. Em frente ao bar estava a minha amiga com o cacho dela, dei uma risadinha, fiz uma brincadeirinha de longe, quando do nada estou eu no chão. No exato lugar que eu estava, teve uma briga atrás de mim e um cara que era o triplo da minha pequena pessoa me fez de colchão de briga. O idiota levantou e nem reparou que eu estava em baixo, ou se eu estava inteira meleca de caipirinha de lima da pérsia. Com o rosto colado no chão olho para a minha amiga com cara de desespero e ela troca olhares comigo, mas não se move. Assim que o brutamonte saiu de cima de mim eu me recompus em poucos segundos e saí andando, como se nada tivesse me atingindo e como se aquele melado em mim fosse a minha gostosura natural. Quase perdi o meu corretivo da MAC, que voou da minha bolsa. Fui do lado da minha amiga e de uma leve analisada o meu joelho que estava pegando fogo de tanto doer. Não havia nada, só um raladinho. Continuei andando, cinco minutos depois olhei o joelho de novo. Estava mais inchado que as bochechas do Kiko. Desepero. Minha amiga me encontrou e foi comigo até o bar. Eu peguei gelo e fiquei uma hora SOZINHA fazendo compressa. Depois obviamente arranquei todo mundo a força da festa.
Já em casa, isso as seis horas da matina, a minha amiga já dormindo, eu resolvi mostrar o estrago para a minha mãe. Ela sem nem pensar duas vezes, ao observar aquela pretidão toda, falou: "Vou te levar no médico!", e eu com uma calma que até eu me surpreendi falei: "Não se preocupa mãe, tava pior, mas eu coloquei gelo e já desinchou um pouco". Ela pegou um salompas-americano, eu coloquei no local e fui dormir. Faz um mês. O meu joelho ainda possui partes roxas e movimentos bruscos são evitados. Antes de virar e ir dormir falei para a minha mãe: "Relaxa mãe, da próxima festa eu volto ou de cadeira de rodas ou de ambulância".

domingo, 2 de setembro de 2007

Adivinha!

Oi! Tudo bem? Adivinha! O que? Você não gosta desse jogo? Bom, problema seu, porque eu num perguntei. Só mandei você adivinhar... E ai? Vai ou não adivinhar? Ah! Vai começar a fazer birra? Que maleta! Credo! Bom, já que você num quer eu vou falar... Sabe o que eu sou? Não, estranha eu já sabia... Eu sou uma fada! É uma fada! Do que você tá rindo? Eu num pareço com uma fada??? Lógico que não pareceço, eu num sou uma fada qualquer, sou a Fada do Absinto...
Eu sabia! É sempre assim! Depois que eu revelo que fada eu sou todo mundo se interessa! Que tipo de mágica eu faço? Ahn, bem, vejamos... Peraí também, num fica colocando pressão, eu preciso me expressar bem, sem estresse!
Você tem algum segredo escondido? Não, não, não... Num precisa nem responder... Eu sei que tem, eu sei qual é... Ha ha ha... Num precisa ficar vermelho, eu sou fada e não fofoqueira! Num vou contar nada pra ninguém! Se eu posso realizar qualquer vontade? Hum, acho que sim... É um segredo? Ah, você quer apagar alguma coisa? Aí já fica um pouco mais difícil, mas eu dou um jeito! Eu entendo. No fim das contas, vocês humanos fazem tudo na hora quando estão com vontade, e depois sempre, S-E-M-P-R-E, acabam por se arrepender. Até parece que vocês tem apenas dois neuronios...
Ei! num precisa ficar ofendidinho, fala sério! To ou não falando a verdade? Viu, vocês sempre concordam comigo no final! Mas, enfim voltemos ao que interessa! Você que reverter uma atitude não pensada? Um ato que na hora fazia sentido, mas agora virou desato? Hum, acho que dá... Mas eu tenho algumas condições:
1) Você não pode mais ser tão impulsivo, eu sei que muita coisa vai perder a graça, mas um dia arrependimento ainda vai matar, e você não vai poder falar que eu não avisei...
2) Seja mais sincero. Com quem? Ah! por favor! Me faça perguntas decentes! Com aquelas pessoas que merecem receber a sua sinceridade! É muito feio mentir para conseguir o que você quer na hora, e depois ainda fica pedindo pra voltar no tempo.
3) Nunca mais você vai poder se arrepender de nada... É isso mesmo, para de pensar mal de mim que eu to ouvindo tudo, e eu não sou sou uma fada mala, gorda, e... Ei! Quer parar de pensar essas coisas feias! É a sua última chance de voltar atrás, não faça drama. Eu já estou sendo muito legal com você...
E aí? Vai ou não aceitar? O que?? Você quer um tempo pra pensar? Ô colega, você ta achando que to vendendo um carro? Uma casa? Você vai ficar analisando proposta agora? Se fosse realmente urgente já teria aceitado... Ah... Eu sabia...
Não! Para tudo! Essa é inédita! Você quer um conselho?? Filho, eu sou FADA e não psicóloga. Eu acho que você tá precisando mesmo é de uma boa terapia, e não de um desejo... Ah... Então, você não aceita?? Mas e o desepero? A vontade de voltar atrás? Entendo... Você não é capaz de cumprir as três condições... Relaxa, poucos são. As pessoas erram, fazem drama, e preferem continuar errando. Bom, to indo! O meu papel eu já fiz! Qual meu nome mesmo? Fada da Consciência! Absinto? Não... Essa eu sou quando as pessoas me dão atenção, se eu sou ignorada (como no seu caso) me transformo na Consciência.

Oi! Tudo bem? Adivinha! O que? Você não gosta desse jogo?...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A primeira vez a gente nunca esquece

Ok! Aqui estou eu abrindo o meu pequeno coração para milhares de dezenas de pessoas desconhecidas... Cada dia mais me admiro o quão ousada consigo ser... Mas antes de qualquer coisa queria agradecer aqueles que me deram apoio nesse momento de grande decisão: valeu galera!
Eu realmente estou com vontade de escrever alguma coisa profunda ou engraçada, mas parece que palavras me faltam para conseguir exprimir tamanha emoção. Eu entrei para o grupo de bloggers, eu sou uma internauta de categoria. A minha vida está mudando.
Não garanto textos freqüentes aos meus futuros fãs (que serão inúmeros), afinal faz parte do meu plano de vida ser rica e famosa. Mas prometo não deixar ninguém na mão quando a saudade apertar!
Façam pedidos! Eu vendo rins e faço funks! Ta bom! Deixarei a humildade de lado, eu sou uma garota multi-funções!

A primeira vez será simples e pouco requintada, diferente da minha pessoa, porque por um infortunio do destino, eu ainda não me adaptei a essa vida de blogger.